Vulvoscopia

Vulvoscopia compreende o exame da vulva e regiões adjacentes com o uso do colposcópio, utilizando-se acessoriamente reagentes especiais como ácido acético e azul de toluidina. Deve ser sempre precedido pelo exame macroscópico da região vulvar no intuito de identificar-se assimetrias, lesões macroscópicas, alterações difusas de coloração, bem como definir distribuição e simetria de lesões, que dificilmente podem ser precisados quando se observa a imagem magnificada pelo aparelho.

Realizada por profissional experiente, é exame de grande utilidade no manejo de lesões HPV induzidas. Ao contrário, a inexperiência contribui para aumentar, ainda mais, grande número de diagnósticos excessivos e suas consequentes iatrogenias, fato esse que tem despertado nossa preocupação.

O material e instrumental necessário é basicamente o mesmo utilizado para o exame colposcópico.

As etapas do exame são as seguintes:

1. Inspeção macroscópica da vulva e regiões adjacentes

2. Inspeção colposcópica, realizada com pequeno aumento

3. Aplicação repetida de soluções de ácido acético a 5% na pele e a 3% no intróito vaginal, aguardando-se em torno de 5 minutos até que se inicie a ação do reagente, tardia, em virtude da camada de queratina da pele

4. Inspeção colposcópica no pequeno aumento, passando-se para maior ampliação em áreas em que se identifique alterações

5. Documentação das lesões encontradas, sempre que possível

6. Teste de Schiller no intróito (epitélio glicogenado)

7. Aplicação do hipossulfito a 1% para retirada da solução de Schiller

8. Teste de Collins, com aplicação do azul de toluidina a 1% que é retirado após 3 minutos com ácido acético a 1%.

9. Biópsia de áreas suspeitas com punch dermatológico, pinça de saca-bocados, tesoura ou bisturi.

O exame detalhado do epitélio vulvar poderá permitir o diagnóstico de infecções virais, bacterianas e micóticas, úlceras genitais, desordens da pigmentação, lesões verrucosas, tumorais, traumáticas e outras. A aplicação do ácido acético a 3% e a 5% é tempo fundamental do exame vulvoscópico, útil na identificação de processos inflamatórios e infecções causadas pelo papiloma vírus. No entanto, o exame não deve ser realizado na vigência de processo inflamatório intenso devido ao desconforto causado pela aplicação do ácido acético, além de desvelar inúmeras lesões aceto-brancas, inespecíficas nessa ocasião, propiciando resultados falsos positivos.

O teste de Collins tem a finalidade de demarcar áreas de maior concentração nuclear no epitélio e, portanto, de maior interesse para o direcionamento de biópsias. Atualmente, deve ser reservado para casos em que a vulvoscopia identifique lesões suspeitas. Caso não haja alterações mesmo após o ácido acético, não é necessário a utilização de tal teste.

A biópsia, realizada a nível ambulatorial e sempre sob anestesia local, indica-se sistematicamente em casos de lesões suspeitas pois é procedimento indispensável para o diagnóstico. Deve ser evitada em região de papilas fisiológicas, bem como em lesões aceto-brancas tênues, pois as características histológicas e inflamatórias, comuns na região, frequentemente confundem também a interpretação dos patologistas. Nas regiões de pequenos lábios e vestíbulo pode ser adequadamente realizada com pinças tipo Medina e nas demais áreas vulvares, com punch dermatológico. Excepcionalmente se faz necessário a aplicação de pontos hemostáticos.

 
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